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14 setembro 2013

Aço, kevlar, vidros e balas

Olá,
 
Neste post não vou atacar o preço absurdo de um carro, peça ou revisão. Também não vou alertar sobre custos extras, taxas ou outros gastos.
Então, avisado, começo o post assim;
 
Quando morei em São Paulo, fui assaltado no trânsito algumas vezes.
 
Não é agradável para ninguém ser assaltado, claro. Mas, no meio do trânsito é ainda pior pois não se tem para onde fugir, os motoristas ao seu lado não fazem nada e, após a entrega do que foi pedido, você permanece alí preso, apavorado, dando graças a deus que não foi morto e ainda pensando no que fazer a seguir; se vale mesmo a pena ir na delegacia perder tempo para registrar um B.O.
 
Desesperados..
 
A uns 8 anos atrás, um colega meu havia ganho um bom carro de seu pai, um presente. Mas, antes de assumir o volante do brinquedo, o veículo foi enviado para blindagem.
Na época achei meio obsurdo pois o carro bom era na verdade um popular com alguns opcionais e que, com o peso extra de armadura, não imaginava como o carro ia conseguir andar ou quanto iria resistir. Nesta mesma época eu também trabalhava com uma montadora de veículos que vendia um jipinho "blindado de fábrica" -por quase o dobro do preço- e, anotava em meu caderninho que sempre alguém perguntava sobre esta versão específica. Também por esta data um familiar sofreu uma tentativa de assalto na Av. Morumbi.. avançou o sinal para fugir mas ficou presa no trânsito; os assaltantes foram até ela e balearam o carro, sem levar nada (ela não morreu). Pouco antes de vir para cá -sendo um dos motivos para sair de SP- o pai de uma amiga faleceu em assalto armado no trânsito, acabando também com a família em sí.
 
E, não sendo eu louco, pessimista ou contador de histórias, a tempos o mercado de carros blindados vê no desfortúnio de uns, a oportunidade de crescer, como mostra a matéria a seguir (clique aqui). O texto "tenta-se" explicar, por um modelo matemático meio duvidoso, que a quantidade de carros blindados está maior pois, além da violência, o carro blindado está mais barato.. na verdade não mais barato, ele custa ainda o mesmo mas, como o dinheiro desvalorizou, consequentemente ele ficou mais barato. E como a violência não para de escorrer pelas ruas, o útil uniu-se ao agradável.
 
Você está seguro assim?
 


Isso traz exatamente o cenário que meu amigo viveu, no começo do post.. cada vez mais, agora, carros populares se submetem a lipoaspiração inversa da blindagem.
Fiates, fordinhos e gravatinhas passam a ter muito mais que a semelhança de não poderem abrir suas janelas traseiras e de gastarem pouco no trânsito.. eles se tornam a materialização da falência de nosso convívio civilizado.

05 setembro 2013

Dois carros, por três anos.

Olá amigos e pacientes,
 
Em alguma postagem atrás eu comentei de como me parecia caro ter um carro e sustenta-lo...
Esse gasto torna-se uma navalha quando penso que grande parte das pessoas que compram um carro, não pagam a vista e mordem um empréstimo do estelionatário bancário (pois os 150 mil carros mais vendidos em Agosto são populares).
Ou seja, para eles um carro novo sai o valor de uma das 60 parcelas.. uns 500 reais mais ou menos, SOMADOS com o gasto mensal de gasolina, impostos e serviços.
Daí saiu uma matéria na Folha (link no fim)..
 
Essa é uma conta que não entra na cabeça das pessoas com quem tenho convesado, infelizmente.
A maioria responde importar-se com a atuação do vendedor, o prazo de entrega ou a "facilidade" de financiamento. Outros, para mostrarem-se entrosados no assunto, até falam de preços de revisões até determinada quilometragem (que se torna uma escuridão de dúvida após esse período pois as peças importantes duram pouco mais que este período).
 
[PAUSA]
Duvida, né? Ok..
Dê uma olhada no manual ou na referência de seu veículo, onde consta as peças a serem trocadas "tabeladamente" e repare que a maioria dos serviços é de troca de filtros ou algum líquido.
Ítens como bomba de gasolina, bomba de água, bomba de óleo, correias dentadas, corpo de borboleta, juntas, assentamento de válvulas, coxins e etc não estaram nesta lista pois foram projetados para NUNCA falhar (em 94,5% dos casos) dentro deste período.
E não é porque montadoras se preocupam com a qualidade, mas sim porque até este momento eles conseguem te vender o período "barato" da manutenção (leia-se manutenção mal feita).
Daí, outra solução "Zeca Carioca" adotada pelo dono do veículo é vender o carro ao fim deste período e passar ele pra frente já que agora ele se tornou um problema...
Todos os malandros acham que são os únicos a pensar assim.
[PLAY]
 
Mas, enfim.. os gastos com o carro novo deveriam ser projetados no ato da compra, para que o comprador saiba onde está "investindo" sua homem/hora de trabalho. Como se a montadora fosse uma parceira real no pós venda, preocupada com seu cliente após ele pagar pelo produto.
 
Só que a labia -do vendedor- teria de ser muito boa pois o produto seria mais ou menos assim;
"Te vendo um carro hoje, que te custará por dois daqui a três anos, mas valerá quase a metade"
 
Eu sei, eu sei.. um absurdo o que eu escrevo.. mas, de acordo com o levantamento da matéria que eu citarei abaixo, um carro popular, de R$32mil, custa os mesmo R$32mil para ser mantido ao longo de 3 anos.. é um salário mínimo por mês, por ser seu.. fora o que o banco está lhe cobrando também.
 
fonte: Folha (clique aqui)

 
A matéria até diz que os compradores estão mais racionais, nas recentes pesquisas.. mas como estamos apresendo crescimento na quantidade de veículos comprados, mês após mês, não sei qual o fator racional que se está sendo medido; descascar uma banana ou abrir uma porta pois análise de custo é que não é.
 
 
Parei por hoje..


 

19 agosto 2013

O gasto nosso de cada dia - Carros

Olá,
Não abandonei este blog! É que não tive muita vontade de escrever sobre esse nocivo vício (os carros). Poucas pessoas gostam de ouvir coisas ruins sobre aquilo em que elas estão viciadas... e como eu gosto de carros, sou uma serpente comendo o próprio rabo.
Mas, reservei algumas matérias interessantes.. que mais uma vez traçam o contorno de nossos "estatus dependentius".

Em Julho recebi a revista de Agosto da revista de carros que gosto de ler. Falava bastante baboseira de como um carro novo da montadora Beltrano era igual ao da outra montadora Fulano mas que, devido a uma inovação que em nada influi no modo de condução, este novo era, de certa forma, superior ao antigo concorrente, da mesma forma que, consequentemente, seu novo preço também era maior. Algo como; Inventaram a galinha para que pudéssemos ter ovos. Agora lançaram a galinha pintada de azul, que é mais cara devido a cor mas que continua dando a mesma coisa; ovos.

Como a revista não pode falar mal de quem lhe entrega a galinha azul, não li nada de ruim sobre qualquer aspecto de qualquer coisa que possa ser relevante aos carros entrevistados.
Então, ciente da falta de luz, vamos a matéria que quero citar.

Neste mês a revista comentou sobre o custo diário, ao longo de um ano, de uma frota de diferentes veículos. A matéria é interessante, pois coloca o custo do carro no Brasil, que é absurdo de alto, em pauta. Mas o texto me faz perguntar quem teria encomendado esses cálculos e estudos...
Na matéria se observa que o maior gasto de um carro durante o ano é o combustível. E que, por coincidência, o "Foquis Blu-moxan" de 3 cilindros, igual ao anterior, porém recém re-lançado, é o mais barato do mercado, para ser mantido.
Além do campeão, é possível ver que o VW Gol não tem mais o seguro mais caro do mercado, como todos estamos acostumados a ouvir.. Em uma rápida e equivocada leitura, este título parece pertencer a seu concorrente direto entre os populares; o novíssimo HB20. Se a matéria tivesse lido as próprias matérias expelidas em edições anteriores, poderia saber que o valor do seguro cotado é muito maior ao seguro que a montadora oferece a seus clientes e, fato este que foi frisado na matéria sobre seu lançamento. Outro ponto é que o Gol é pé-de-boi 1.0.. e o HB, embora popular, é um 1.6 (configuração esta bem mais recheada).

Bem, o sedã "médio" citado na reportagem, da VW, não é o mais barato.. ele é levemente mais caro que os outros.. em exatos R$1,90/dia mais caro.. mas como ele vem do México, isso poderia ser a culpa, assim ele possui sua pena de ser caro, amortizada.
Mas, supondo que a matéria fosse por completo idônea, o fato é que o dinheiro come solto quando o assunto é ter um carro. A gastança é tanta que os índices de vendas quebram recordes mês após mês, chegando ao número que a população de automóveis em São Paulo ser superior a população da Austrália... Sim, é verdade; leia aqui.

E, pelos cálculos exemplificados na revista de carro, se o cidadão gastou sua bufunfa num "foquis blu-blu" peladão, ele deve se preparar para um gasto de R$6250 para fazer a belezinha desfilar por um ano.. nas passarelas esburacadas de nosso país. Parece pouco, são R$17,12/dia.. se usasse o terrível transporte de massa (pessoas), gastaria por baixo R$6/dia.. a diferença de 11 reias parece valer o investimento afinal, no fim do dia, você está com um carro na garagem.

MAS, se ainda levarmos em conta que, no fim deste ano, a desvalorização do brinquedo novo deva atingir algo próximo de 15% sobre o valor pago, o Sr. Cidadão terá gasto 11140 reais para ir e vir... dividindo este valor pelos 365 dias do ano, resultam em mais de R$30 reais gastos por dia.

A matéria sugeriu 17 reais.. e no fim o dono amargou com 30.. uma diferencia de 80% a mais do que a calculadora da edição...

Encontrei nas buscas uma print-screen que alguém fez da matéria:


Mas como ter controle desses gastos? Tem muita gente que duvida gastar tanto no carro. Minha mãe, por exemplo, acha que gasta algo como 10 reais por dia, com o carro. Claro que nesta conta dela só entra o combustível.. falta a outra metade dos gastos que são; manutenção e taxas. Se tentasse pedir para ela ser exata nos gastos ela não saberia dizer pois não faz um relatório de gastos.. ninguém faz. Até que:
Achei esses dias um programa de celular (aqueles "apps", para Android) que podem ajudar a todos a contabilizar os gastos com o carro. Chama-se "CTN Car" e, embora em inglês, foi feito por um Brasileiro.
Nele é possível inserir diversos gastos, muito além dos de combustível. E, muito além dos valores gastos em sí, com a opção de escolha do posto de abastecimento, tipo de combustível, observações, etc..
É possível também colocar todas as taxas, independentes, multas, etc..
E, ele ainda faz relatórios, relacionando os dados.. e em períodos específicos que você queira analisar.
É muito eficiente mas requer prática de uso pois, embora venha com um banco de dados prontos, para maior eficiência é preciso cadastrar os postos que vc costuma usar, os tipos de manutenção que realiza com frequência, etc.
Mas o software é bom. Eu recomendo. Comprei ele e mantenho abastecido de dados desde Janeiro de 2012. 

Em 2012 gastei mais de 11 mil com o meu popular; incluindo manutenção, combustível e taxas.. Em 09-2013 já estou em 5 mil gastos. E pelo programinha meu carro roda a R$20/dia..

05 julho 2013

Carros às cegas

Comprar um carro novo é bom, devo admitir.
 
Recentemente enviei o carro que utilizo para uma revisão de 150mil km. Não foi barato, mesmo se tratando de um popular, mas dentro de um orçamento "meio-que" previsto. 
Enquanto ele não estava pronto, fiquei visitando os veículos expostos na concessionária. Mas não fui muito longe nas avaliações pois, convenhamos, ficar fuçando em carros de concessionária dá vergonha, já que eu não vou realmente comprar nenhum carro (além do que, faz tanto silêncio dentro de uma concessionária que o simples abrir de portas parece uma porrada na lataria.. imagina o estrondo de um capô se fechando).
 
E acho que esse meu comportamento se repete em muita gente e vice-versa. A gente decide que vai comprar um carro já meio no "tiro certeiro".. não passa em muitas marcas ou modelos. Já é quase compra feita, antes mesmo de sair de casa. E acho que isso é porque dá vergonha demonstrar interesse em um bem tão significativo em nossa cultura para em seguida, "de repente", sair da loja com as mãos vazias, insatisfeito com o produto mas com a leve sensação de que os outros estão nos olhando como um fracasso financeiro.
 
A maioria das pessoas que conheço e que compraram carros recentemente, não fizeram um teste drive decente ou alugaram um modelo similar para testa-lo por dias.. É no máximo em um passeio de 20 minutos, em um carro zero e acompanhado do vendedor da loja, em que se decide adquirir um bem que vai interferir em nossa vida nos próximos, digamos, 60mil km.
Testando seu próximo produto?
 
Pois é, não sou eu apenas que digo isso, de comprar carros às cegas.. saiu neste link Carro às cegas que 51% nem realiza o teste drive. Vai lá e pumba, compra o veículo..
 
Daí em algum tempo depois aparecem os gastos surpresas de revisões, desgaste e impostos.
 
Falando nisso e, terminando o assunto anterior;
A revista quatro rodas comprou um Mercedes Classe A, para seu teste de "longa" duração (60mil km). O veículo, que é o mais simples da linha, saiu por R$109mil, somado ainda pelo IPVA de SP (4%) de R$4360 e os futuros gastos das 3 primeiras revisões, que somam mais de R$3mil (Uma a cada 8mil km!)...
Desta forma, o sonho de consumo de muitos motoristas (inclusive meu, porque seria muito bacana dar voltas em uma Meca), se torna rapidamente em pesadelo.

15 junho 2013

Carro 1.5

Oiê,

Eu já havia tido essa ideia de criar um blog sobre a "febre de 40º" que o mercado automotivo é.
Na época queria mostrar como está sobrando carro por aí.. literalmente, jogados como as garrafas PET nas praias desse Brasilzão.
Queria mostrar como a ação de recuperar um carro usado é muito mais lógico e racional do que se desfazer dele. E eu me referia apenas a manutenção, já que muitas peças de carros ditos modernos ou "lançamentos" usam as mesmas peças dos antigos.. entre no site das montadoras e confira; É praticamente um absurdo, pois grande parte da renovação não passa de pequenos aprimoramentos ou de mudanças estéticas.

Enfim, além do lado de cuidar de seu carro usado, no antigo blog eu queria também mostrar como é a vida de um veículo após seu período de uso, que é bem menor que seu período de vida, já que o carro que alguém comprou, em algum momento, irá para um lixão.
Óleos complexos, graxas, líquidos tóxicos, tintas especiais, plásticos, vidros, tecidos naturais e sintéticos, estruturas metálicas e borrachas, todas essas persistem por muito mais tempo que os anos em que um proprietário utilizará seu carrinho.
E, para isso e por enquanto, não há política de responsabilidades ou de reciclagem (Já pensou se eles culpassem à você, por um carro que não é mais seu faz alguns anos? Pois saiba que as montadoras também não serão responsabilizadas - afinal, são Montadoras).

Daí, alguns dias atrás lí a matéria intragável que, no país que possui a tal Mata Amazônica, (sonoplastia "tchan, tchan, tchan, tchan!!"), 1,5% de um veículo é reciclado.

UM PONTO CINCO. De tão pequeno, esse valor seria uma ofensa mesmo se fosse um desconto.

Pois é, aquele seu carro que usava carburação, ou usava até dínamo, ou ainda tinha apenas 3 marchas, bem, é grande as chances dele ainda esta aqui, em algum cemitério de carros... De repente até o carro de seu pai esteja lá. E os que eu tive também! Nossa, gostaria de vê-los pois gostava de algum deles.

Até o fim, da fila.

27 maio 2013

Resolvendo um CASE

Zerando seu hodômetro...

Você está aqui, lendo. Mas, daqui a alguns minutos, vai precisar estar em algum lugar para algum compromisso.

Como você vai chegar lá?

Esse é o problema que devemos resolver, muito antes de cogitar comprar um carro. O carro pode ser uma das soluções, claro, mas focar apenas na solução para resolver o problema, não é resolver o problema inicial, e sim criar um novo problema; O de não ter um carro.
Veja, entre aqui e seu destino, não importa o meio de transporte que você use, o problema é seu deslocamento até lá. Se você ir a pé, você chega lá; se você ir de patins, você também chega lá; skate, bicicleta, motocicleta, ônibus, trem, carro, taxi, helicóptero, avião, canoa, navio, etc.. todos podem resolver seu problema entre A: Local e B: Destino.



"Ah, mas ir de carro é mais rápido", "Ir de carro é mais seguro", "Com meu carro é mais confortável" e "Prefiro ir de carro" são frases que apenas focam na solução e seus problemas seriam, respectivamente: velocidade, segurança, conforto e gosto. Então, embora seja um absurdo, você poderia ir com um helicóptero blindado, sentado em poltronas de couro de seu rebanho, à padaria que, no fim das contas, daria no mesmo como ir de carro pois, como havia "levantado a bola", o problema é o deslocamento entre sua casa e a padaria, apenas.

Bem, a Folha apresentou uma vez, uma matéria muito interessante sobre o que compensa mais; Abrir mão de seu dinheiro, comprando um carro, ou gasta-lo com um taxista (leia a matéria aqui). Essa matéria é uma boa análise de uma das alternativas para resolver o problema de ir comprar o "pão nosso de cada dia e seus similares".


Eu não estou sendo cético ou chato, acredite. O Brasil quebra recorde de vendas de carro pois estamos focados apenas na solução e não no problema - que, pensando agora, seria a falência, abandono e falta de incentivo do transporte alternativo, como ônibus, bicicletas e taxis. Esquecemos, por exemplo, que esse sinal de saúde econômica tem nos feito gastar cada vez mais tempo, parados e enfileirados pelas ruas das cidades, em grandes conglomerados de trânsito. Ou que a Gasolina rabo-de-galo já passou de R$3 o litro em várias cidades canarinhas. Ou que vamos investir tanto Dinheiro (sendo Dinheiro igual a Trabalho) em um transporte que vai basicamente nos levar ao trabalho..


04 maio 2013

Notícias da Semana

Tenho vários assuntos pra tratar, que lí na internet, durante essa semana. Mas não quero colocar posts grandes..
 
Bem, começando por um dos assuntos;
 
Essa semana chegou mais um fascículo de minha revista automotiva..
Como de costume, não leio muito as matérias da capa e vou direto para a seção em que a Editora mantém uma frota de carros, para avaliar o pós venda e, claro, os carros, realizando inclusive o desmonte completo do veículo.
 
Enfim, tem um modelo alí que está quase no fim de sua avaliação, coitado... E, nesta fase, a revista faz uma sondagem de cotação de mercado com o carro, levando ele em concessionárias e lojas especializadas. O carro em sí tem quilometragem alta, apenas isso, pois a revista conta com uma gama de profissionais caros e especializados, que verificam tudo no carro, antes e depois de envia-lo para as revisões... logo, é um carro tratado melhor, bem melhor, do que nós tratamos os nossos carros. 

 Passando o carro pra frente..
 
Com isso, o repórter da matéria saiu a caça de cotações. E levou um grande soco. Logo de cara, na concessionária onde o carro foi comprado 12(doze) meses antes, por R$53.460,00, o vendedor fez cara feia e chegou a dizer ao cliente que "Se eu pegar esse carro, vou ficar com um mico na mão" e insultou com uma oferta de 36mil reais apenas como troca por outro carro mico, digo, carro "zero".
O repórter, muito educado, partiu para outras lojas e entrou na concessionária de um concorrente onde o vendedor até avisou que iria ofender, e apresentou a proposta de 25mil reais. Insistindo em realizar uma matéria melhor para a revista, o repórter visitou mais uma porção de lugares e, finalmente, conseguiu uma oferta de 41mil em uma loja privada. E a matéria acaba assim.
 
A Editora que comprou o carro acima é rica, muito rica. Provavelmente está cagando para essa desvalorização. Mas o motorista que compra esse veículo não chega aos pés desta fortuna e, sente o peso da pancada.
A desvalorização deste carro da reportagem, considerado ser o carro usado mais bem cuidado do mercado nacional, foi de 23,3%, na melhor das ofertas.. e de 53,2% na pior das ofertas.
Claro que a pior oferta não seria a correta.. mas se fosse um caso de emergência, de repente, o vendedor teria sucesso em sua presa. A oferta melhorzinha.. bem, foi a melhorzinha.
 
Não me passa pela cabeça quanto uma pessoa precisa ganhar para comprar um carro destes.. provavelmente ela se afunda em um financiamento... mas, em um ano, quanto alguém precisaria ganhar para pagar o carro e, claro, sobreviver o resto do mês? O valor do carro em sí, pago em 12 vezes (ou seja, um ano), já garante 4455 reais de um salário.. (imagine, daqui a um ano, 23,3% dessa bocada em um contracheque, jogados no lixo!!)
 
 Trabalho #FAIL
 
Pra mim isso é um absurdo pois além destes valores estupefatos acima, a revista não comentou nada sobre o preço final ou sua desvalorização durante a matéria.. NADA!! Claro, isso deve ocorrer porque alguém da redação vai poder levar o carro pelo preço da oferta.. ou seja, alguém da redação está feliz com o preço oferecido... mas, sendo a revista uma "formadora" de opinião, esperava um pouco mais.. um pouco bem mais afinal, preciso avisar muita gente à não pagar por um mico!


02 maio 2013

Vendas subindo; problemas idem!

Eu tenho parentes que são fumantes.. mas não são pouco fumantes ou fumantes comuns; são fumantes daqueles já roucos, cinzas e cheios de rugas, que acordam catarreando já no caminho da cama até o banheiro.. [tenho que continuar] fumantes em que uma simples risada inicia uma cadeia de tosse e falta de ar e, de tão presos ao vício, chegam a fechar as janelas de seus carros durante o consumo de um, dois ou três cigarros. Fico imaginando se um Doutor desse o laudo terminal a estes parentes, devido a esse excesso.. eles não iriam se importar.
 
Sempre penso nesses meus parentes quando leio uma notícia do tipo: "Vendas crescem 8,5% no mês". Eu só posso imaginar que são pessoas que estavam com tremedeiras ou já doentes de abstinência pois não encontrei nenhuma notícia do mercado internacional, da Bolsa de Valores, da ANP, do Governo, da cotação do dólar ou de qualquer outro índice para explicar o que causou essa maior procura ou que mostrasse de que ESTE é o momento para comprarmos um carro novo ou que um carro traria um retorno a curto, médio e longo prazo melhor que a poupança, por exemplo..
 
Vendo! Vendo!... Compro! Compro!
 
Pelo contrário, saiu uma aí sobre uma máfia do asfalto em Santa Catarina.. saiu outra em que vão tirar os impostos do produtor de Etanol mas que esse lucro não chegaria ao preço da bomba.. outra ainda diz que a partir de hoje a Gasolina passa a ter 25% de Etanol ao coquetel.. outra conta que a montadora da gravatinha está pressionando uma prefeitura, para isenções fiscais, para investir em seu pátio fabril particular.. e tem mais um monte mostrando que o cenário na verdade não é promissor  (Aqui e Aqui) e que várias medidas estão sendo tomadas NESTE momento para proteger os produtores deste bem de uma provável crise futura (convenhamos que alguns desses 300 mil carros de Abril não vão ser pagos).
 
Mercado aquecido por gelo
 
De cair ainda mais o queixo, pois o crescimento não se trata de uma nova tecnologia ou atrativos "sine qua non".. os mais vendidos deste mês são os mesmos do mês passando, sem as mesmas tecnologias entre sí (carros peladinhos e inseguros); Gol, Uno e Celta.
Sou até capaz de dizer que o trânsito ficou 8,5% mais perigoso este mês.
 
Será que um Doutor poderia convencer com este quadro terminal?

28 abril 2013

Perdendo tempo

Eu assino uma revista de automóveis... e nela tem uma parte chamada de Tabela de Preços. É uma tabela simples, de marcas e modelos de carros nacionais, Mercosul e México, contendo preços tabelados, preços praticados, opcionais e até a desvalorizações de alguns carros, após um ano. Desvalorização esta creditada à pesquisa da AutoInforme apuradas para São Paulo - SP no mês anterior ao da revista que estou usando como referência.
 
Desvalorização = dinheiro = tempo
 
Esses valores de desvalorização são bem miudinhos e em azul.. mas, -fiz aqui- com cálculos de probabilidade sobre todas as 216 desvalorizações apresentadas, encontrei um resultado interessante, onde mostra que o carro nacional vai desvalorizar cerca de 15,6% ao longo de um ano, com desvio padrão de 2,8 pontos percentuais independentemente de seu dono, modelo ou uso.
E que significaria esses dois valores, né minha gente? Significa que a o valor perdido do carro, em um ano, é de 15,6%, claro. Mas, para saber os valores máximos e mínimos de desvalorização para determinada parte do mercado nacional, daí devemos utilizar também o desvio padrão.
Calma, pois trata-se de uma operação simples; Se quisermos qual desvalorização de, digamos, 65% de todos os carros nacionais, devemos somar e subtrair um desvio padrão (2,8%) à média (15,6%), encontrando um intervalo de valores. Assim, para 65% do mercado, a menor desvalorização será de 12,8% e a maior de 18,4%. Para sermos ainda mais amplos, buscando a desvalorização em 95% de todo o mercado nacional, devemos somar e subtrair dois desvios padrão à media, encontrando a menor perda em 10% e a maior perda em 21,2%, ambos sobre o valor pago no automóvel, na loja.
 
Desvio padrão
 
Meu irmão, a exemplo de diversos brasileiros, quando tem sorte, trabalha somente 44 horas por semana. Ao longo de um ano, ele trabalha quase 48 semanas, já que existem feriados e férias, totalizando assim, com sorte, 2112 horas de trabalho.. ele, também como exemplo de diversos brasileiros, que comprar um carro "zero". E ele não quer qualquer carro; de forma semelhante a muitos brasileiros, ele quer um que custa praticamente um ano de trabalho mas que, financiado em alguns anos, sai baratinho por mês..
 
Se ele concluir essa compra, a exemplo de outros brasileiros, daqui a um ano ele vai ter perdido cerca de 7,5 semanas de trabalho... ou melhor; serão 7,5 semanas vezes 44 horas por semana, totalizando 330 horas trabalhadas mas, "DE GRÁTIS", em função APENAS da desvalorização de seu bem material e, ainda, sem considerar gastos como taxas de governo, seguro, combustível e manutenção. Na melhor das hipóteses, ele vai trabalhar de graça apenas 211 horas (4,8 semanas), se o carro dele tiver a menor desvalorização do mercado, de 10%... :(

(P.s.: E nós ainda tratamos de carro como investimento)

23 abril 2013

Um placebo ao vício

23 de Abril; dia de comprar um carro. Ou não.

Quando era criança -e isso não faz muito tempo- eu me interessava muito mais por carro do que hoje. Me interessava como fã, não como estudioso ou mecânico. Lembro-me de passar horas desenhando carros e mais carros no papel, retratando no melhor de minhas habilidades as suas proporções e partes, sem saber ao menos o que era um radiador de água. Lembro-me também de um antigo Fiat 147 ao qual meus pais me levaram até a Paraíba..

147 e a infância.

Naquela época eu pensava que carros eram similares aos cães e que estavam alí, por tanto tempo, porque gostávamos deles e vice-versa. Não passava por minha cabeça que carros eram produzidos em massa e muito menos que eles desenvolviam um papel econômico importante para o país, como símbolo de prosperidade...
E a maior idade veio, assim como a permissão para dirigir. Mas em casa não tínhamos como comprar mais outro carro, para mim, pois não tínhamos nem como trocar o nosso único e surrado Corsa MPFI (este mesmo já era de um sorteio de uma loja de departamentos!). Percebi que comprar um carro não era brincadeira. Nunca foi.
 
 
Nas próximas postagens pretendo textualizar como as operações comerciais do mercado automotivo se tornaram ações megalomaníacas, comprometendo nosso raciocínio frente ao automóvel, removendo a lógica e razão, aproximando-nos de um caso de doença, de um grande vício à que estamos presos.
Por favor, como efeito da abstinência, tenha paciência com os próximos textos.

Megalomaníacos geniais